Qual o título deste post?

O dinheiro não existe se formos pensar por uma perspectiva concreta no planeta terra e sua ecologia. Existe árvore que, quando processada sua celulose, temos um papel e o que está impresso nele é uma IDEIA de valor.

A conta bancária também não existe: é um lugar não concreto que guarda a representação do valor que foi impresso no papel, que chamamos de dinheiro. Percebe como são IDEIAS? Eles até compõe no real material ecológico, mas por meio de uma afirmação imaginária, simbólica , representacional de “isto é dinheiro” sobre um papel comum; e precisamos acreditar para que essa IDEIA ganhe movimento e para que aquele papel passe a ser trocado por um terreno, imóvel, carro, curso… um papel que passa a ter mais valor que qualquer outro papel sulfite, mas, tem as mesmas propriedades que qualquer papel!

Ainda nessa perspectiva, temos também a lei da oferta e da procura. Existe pouco daquele produto? Sim. Quem se interessar por ele, vai comprar. Outro fato REAL. Contudo, o produto não acabou no real, mas o fato de ter fabricado pouco daquele produto naquele mês ou época, já se aplica a lei da oferta da procura antes de começarem a procurar.

Talvez, se esperássemos a realidade acontecer esses produtos nem fossem comprados, mas a lógica mercadológica ensina a encarecer devido a uma expectativa (IDEIA) baseada em “evidências estatísticas de projeção”.  A partir daí, inaugura-se um comportamento no produtor e no consumidor que nada tem a ver com o REAL. Um comportamento que surge a partir de uma IDEIA do que poderá ser e não do que está REALMENTE sendo.

Talvez se olhássemos para o real concreto não simbolizado, pudéssemos acreditar em outras coisas e, assim, faríamos outras escolhas e teríamos outras ações. E é justamente neste ponto que o capitalismo opera: nas escolhas, no decidir, prevendo nosso comportamento.

Presume-se futuros, delira-se, imagina-se para gerar comportamentos no real. Permitimo-nos ser controlados por meio da crença em ideias e simbolismos, sendo que o real concreto (nosso corpo, por exemplo) está dando estímulos contrários aos delírios e ideias torturantes.

“Eu sou produtora rural. Minha colheita foi intensa e farta e de outros colegas também. Com isso, tem muito desse produto no mercado. Segundo a lei da oferta e da procura tenho que descartar a produção porque o preço é tão baixo que vou lucrar muito pouco!“. Entretanto, o real ecológico planetário informa o seguinte estímulo: COLHEITA MUITO FARTA QUE NÃO CABE NOS CELEIROS. Apenas!

Mas, a crença nas IDEIAS torna real e concreto queimar a produção, jogar fora o trabalho de uma temporada inteira.

Se percebêssemos com outra lógica não representacional, desviando da lógica do dinheiro, do lucro, da conta bancária, o que esse produtor poderia pensar é: “Olha o quanto de energia eu investi e olha no que virou! É fruto do meu trabalho, que produção fodona que eu construí. O que posso fazer com essa minha produção?”

Ao invés de valorizar o preço (que não existe, porque é uma IDEIA) valoriza-se a produção;  a energia gasta, o empenho feito, a produção executada por tantos meses e até anos.

Percebemos como que uma IDEIA tem tido mais poder que a matéria gritando na nossa cara.

Quando vamos valorizar isso?

Quando vamos honrar a nossa entrega produtiva?

Para isso, precisamos passar a acreditar em outras coisas…

Sugiro acreditar menos nas ideias e mais no concreto vivido.

O capitalismo, é uma desonra aos processos produtivos, porque ele abusa da produção e gera desonra ao trabalho empenhado e, principalmente, não olha para as pessoas REAIS, corpos REAIS, mas valoriza a ideia, o delírio, o imaginário, e não a matéria produzida e o empenho empregado.

Abusamos, assim, da matéria, do trabalho e dos sujeitos.

Quem abusa?

Eu e você, sempre que acreditamos mais na ideias e simbolismos que antagonizam o real concreto planetário da natureza.

Dito tudo isso, tenho percebido que abstrair cada vez menos e concretizar cada vez mais tem sido uma forma de escapar desses abusos que estão interiorizados em nós: fantasiamos cenários de perda, de ganho, de acertos e de erros; é aqui que passamos a aceitar a desonra dos nossos fazeres, de abusar de nós mesmos mentalmente ao tomar decisões e comportamentos baseados em especulações (outra palavra para IDEIAS) distantes dos estímulos reais que estamos percebendo com o CORPO. Fazer isso é o início de atear fogo nas nossas criações, produções que custaram nós mesmos, tudo por conta de uma ideia, uma representação mental, e não do concreto da realidade da natureza que se expressa a partir do que construímos, criamos, inventamos, PRODUZIMOS, sem mediadores representacionais.

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