A palavra dá conta?

Narrativas escritas podem ser limitadas. Não é possível dar-se conta do cotidiano em algumas parcas folhas de papel. Mas, algo se passa na escrita e na leitura de experiências compartilhadas e no modo de contar do narrador.

A palavra pode tentar dar conta de expressar as experiências, mas nada do que se possa dizer alude ao que sente o corpo da experiência. E não é isso que se deseja com a narrativa. Esta é já uma experiência no/com corpo, uma outra experiência, é sempre um começar de novo com outro corpo ou com mais corpo.

O ato da escrita-narrativa não tem um fim nem um começo, pois localiza-se entre. Assim, é possível dizer que escrever esteja relacionado de maneira fundamental com as linhas de fuga. Escrever é fazer traços: de personagens, de paisagens, de encontros... Escrever é um tornar-se alguma coisa, é um deslocar-se do que se é ao transbordar do corpo pelos dedos das mãos e lançar-se às singularidades que estão de passagem.

As histórias estão sendo feitas, são reinvenções da atualidade, e não um saber que responde a todos os problemas.

Estar no meio é estar sempre com o pé na estrada; o meio é o caminho. Caminho é puro durante, não se concebe começo nem final, pois não seria mais caminho; ele só existe como meio. Com isso, escrever é trilhar um caminho, entendendo que a escrita valoriza certo campo, certos atores, certas realidades que estamos vivenciando.




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